Coronavírus: leitos de UTI para suspeitos da doença se esgotam na rede privada em Goiás

Uma semana após informar que estava com 80% de ociosidade, a rede privada hospitalar de Goiás entra em alerta no enfrentamento à doença causada pelo novo coronavírus (Covid-19). O presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, informou nesta quarta-feira (20) que não há mais, nas unidades associadas da entidade, leitos de terapia intensiva (UTI) disponíveis para pacientes com suspeita da Covid-19.

“Esse é o tipo da notícia que nós não queríamos ter que dar, mas não temos como esconder”, lamentou Helou em entrevista ao POPULAR.

Nos hospitais privados, boa parte dos centros de terapia intensiva (CTI) é chamada de “salões comunitários”, segundo Helou. A vaga para o paciente suspeito é um leito de isolamento. A pessoa com síndrome respiratória aguda grave (Srag) sem exame confirmado para Covid não pode ficar com pacientes que sofrem de outras enfermidades, pelo risco de contaminá-los caso tenha realmente o novo coronavírus. Também não pode ficar em uma ala com os casos confirmados, para não ser infectada caso a suspeita não se confirme.

“Hoje (quarta-feira, 20), às 15 horas, acabaram os leitos de isolamento para suspeitos. Restam poucas vagas em UTIs para casos confirmados. Mas ainda há leitos críticos disponíveis para pacientes afetados por outras enfermidades”, explicou. O presidente não soube precisar os números ofertados para cada tipo de internação, dado que deve ser computado nesta quinta-feira (21).

Questionado sobre a informação divulgada na semana passada, de que os Hospitais da Ahpaceg teriam 80% dos leitos ociosos, Helou afirmou que a situação da pandemia em Goiás aumentou a gravidade, de forma acelerada, nos últimos três dias. “Nós estávamos vazios na semana, está tudo documentado, temos fotos. Mas aumentou a gravidade. Hospitais que não atendiam nenhum paciente de Covid há uma semana hoje atenderam 15, 29.”

Helou afirma que a situação nas unidades foi “de boa para ruim em questão de poucos dias”. “As internações aumentaram muito. Nós estávamos mantendo uma média de 50 internados, hoje passamos de 70. Passamos 13 dias sem óbito e tivemos três nas últimas 24 horas.”

A Ahpaceg possui 22 associados. As unidades hospitalares de alta complexidade estão distribuídas nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Catalão e Rio Verde. Juntos, esses hospitais privados possuem 1.600 leitos, sendo 500 de UTI. Destes, cerca de cem são exclusivos para Covid e apenas parte deles seria de isolamento.

Respiradores

Após reclamar da ociosidade de leitos, membros da Ahpaceg se reuniram com o governador Ronaldo Caiado (DEM) na segunda-feira (18). Em encontro por videoconferência, eles se comprometeram a auxiliar a equipar as UTIs do Hospital Municipal de Porangatu, que será transformado em hospital de campanha para atender a população do Norte do Estado. A previsão era a doação de 40 camas e o aluguel de cerca de 15 respiradores.

Mesmo com o agravamento da crise, o presidente da entidade afirmou que a parceria está valendo. “Na sexta-feira uma equipe irá até Porangatu para conhecer de perto a situação. Ajudar a equipar esse hospital é questão de honra para nós”, garantiu Helou.

Foto:  Ahpaceg

Fonte: Jornal O Popular



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