Mais de 390 casos de maus-tratos a animais só este ano em Goiás. DEMA registra uma média mensal de 35 registros no Estado em 2018

Uma média de 35 casos por mês de maus-tratos a animais foi registrada, só este ano, na Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema) em Goiás. Apesar do número ser considerado alto, ele ainda está longe da realidade, segundo voluntários que atuam em instituições de defesa dos bichos. Eles afirmam que número é imensurável e relatam média de dez pedidos de ajuda e denúncias diárias cada um.

O assunto chamou a atenção depois que um cão foi espancado e morto em um hipermercado em Osasco (SP) na última semana. As imagens divulgadas em vídeos e fotografias chocam pela brutalidade de ação contra o cão de rua. “Mas infelizmente essa é uma realidade que acontece todos os dias em diversos lugares, a diferença é que esse caso foi filmado”, diz Lucíola Oliveira, da ONG Anjos Peludos.

Lucíola conta a história de um dos cães abrigados por ela. O animal se chama Caio e chegou ao lugar depois de ter a mandíbula quebrada por seu dono. “Quando soubemos da história dele e fomos resgatá-lo, a infecção já havia tomado conta e nada pode ser feito para recuperar a boca dele. Infelizmente ele passa por muitas dificuldades para se alimentar e o pior: este é um tipo de animal que nunca é escolhido para ser adotado”, relata.

A presidente do abrigo detalha que hoje cuida de cerca de 400 animais, entre cães e gatos. “Não posso precisar a quantidade, mas a maioria é animal maltratado. Tem animal que é resgatado em extrema desnutrição. Recebemos denúncias de bichos abandonados por pessoas que se mudam e deixam os cães amarrados e sem alimento. Outros casos são de espancamento. O animal não é respeitado como deveria”, lamenta.

Lucíola explica que a ONG Anjos Peludos resgata, cuida, e encaminha os animais para adoção. “Muitos chegam aqui com sarna, cinomose, velhos, resgatados depois de denúncias. Muita gente liga contando que os animais, por não terem onde comer ou dormir, buscam refúgio justamente em supermercados, açougues, como deve ter ocorrido no caso de Osasco. Esse caso pode ter chamado a atenção pelo apelo visual, mas protetores lidam com isso todos os dias”.

A ONG de Lucíola é mantida com doações e apadrinhamentos. “E mesmo sem qualquer outra ajuda, todos os dias recebo a média de dez pedidos de ajuda por telefone e rede social, de pessoas pedindo para buscar animal, denunciando situações graves”, relata. Ela acrescenta que precisou desligar a cerca elétrica da sede da ONG. “Muitas vezes a gente chegava e tinha animal preso na cerca, morto, depois que as pessoas chegavam aqui e jogavam pelo muro”, diz.

Tiro

A assessora jurídica Shirley Lima é voluntária de um grupo de proteção a animais. Ela atua com a raça pit bull e lamenta o último caso de acolhimento. “Há dois meses resgatamos a Lia, uma pit bull fêmea que estava bastante desnutrida, prenha e com uma das patas quebras, além de ferimentos”, detalha. Depois de levada ao veterinário, Shirley conta que se surpreendeu com o laudo profissional: o ferimento havia sido causado por um tiro. A cadela foi baleada em uma das patas e mesmo depois de iniciado o tratamento ainda não é possível dizer se ela poderá se recuperar. “Talvez tenha que amputar a pata.”

Shirley presta apoio no Recanto dos Pit Bulls, que mantém uma chácara com doações em Aparecida de Goiânia. “Hoje o recanto conta com 70 animais da mesma raça, que infelizmente ainda sofre com o preconceito. Em muitos casos, os animais são agredidos apenas pela má fama que a raça mantém”, ressalta. Ela conta de casos de cachorros que chegam espancados com pauladas, tiros e outros meios bastante violentos.

Ela concorda que o caso de Osasco teve repercussão maior por ter sido exposto na mídia. “O lado bom dessa história é que chamamos a atenção para esse assunto que precisa ser discutido. A posse dos animais precisa ser responsável. Eles precisam de cuidado e amor”.

Fonte: O Popular



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