OAB vai analisar comentário com discurso de ódio contra gays em live do POPULAR

Durante a transmissão de uma live no Facebook do jornal O POPULAR na noite deste domingo (28), uma internauta deixou um comentário de ódio instigando os usuários a criar um grupo no Whatsapp para extermínio de gays em Goiânia. Um print do post foi tirado e viralizou pelos grupos do aplicativo.

Feita por um perfil identificado F.V., e com uma foto de apoio a Jair Bolsonaro (PSL), a publicação pedia união de forças e dizia que “gay bom é gay morto”. Procurada pelo telefone que estava na postagem, a pessoa que atendeu afirmou que teve a conta clonada e que, em menos de meia hora, recebeu mais de 200 mensagens. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai analisar a postagem.

A postagem dizia: “Grupos de extermínio dos gays no Goiás, agora com a vitória do nosso mito Bolsonaro, vamos juntos lutar pela família brasileira e por fim nesses filhos do demônio a favor da família tradicional. Informações pelo telefone (62)*****-****. Gay bom é gay morto, junte-se a nós”.

Em outro post, desta vez, no perfil da mulher, estava escrito: “Agora com nosso mito Bolsonaro eleito, acabou o crime de homofobia no Brasil. Não será aceito gays e lésbicas. Vamos juntos já unirmos e começar a fazer o limpa. Gays no Brasil, não! Criamos um grupo de Whatsapp para unir todos que são a favor da família tradicional. Telefone (62)*****-****. Gay bom é gay morto, junte-se a nós”. A segunda postagem chegou a ter compartilhamentos e comentários deixando o número de telefone para inclusão no grupo.

À reportagem, a mulher disse que as postagens foram feitas por uma conta clonada em que replicaram a sua foto, que realmente era de apoio a Bolsonaro. “Eu recebi mais de 200 mensagens em menos de meia hora. Não fiz essa postagem, não sei porque fizeram isso comigo, mas foi um clone de perfil que eu nem consegui encontrar. Colocaram meu telefone e agora não para de me ligar e enviar Whatsapp”, afirmou.

Membro da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, a advogada Chynthia Barcellos recebeu o print da imagem pelo Whatsapp e afirmou que a comunidade LGBTQI+ também está se organizando para denunciar o crime. Ela afirmou que a proprietária da conta que está associada à postagem deve procurar a polícia e denunciar a clonagem de seu perfil no Facebook para comprovar a autoria do texto.

“Qualquer pessoa pode denunciar nas delegacias comuns e também pode registrar as denúncias no Ministério Público e no Disque 100, o Disque Direitos Humanos. Este é um caso de dano moral coletivo, quando a ameaça não está direcionada a uma pessoa apenas. As pessoas continuam sob a tutela das leis e precisam ir atrás disso. Nenhum discurso de ódio vai legitimar este tipo de crime”, completa Cynthia.

A advogada afirma ainda que estamos vivendo um cenário de legitimação da violência, principalmente pelo posicionamento de muito apoiadores do candidato eleito à presidência. Ainda assim, ela diz que é preciso continuar a luta sabendo que a internet “não é terra de ninguém”. “Qualquer pessoa pode denunciar e não podemos ser coniventes com este tipo de discurso e ameaça”, finaliza.

Crimes cibernéticos

Em Goiânia, a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC) já está com o caso que será investigado pela delegada Sabrina Leles a partir desta segunda-feira (29). A orientação da polícia é que a dona da conta do Facebook compareça à delegacia.

Fonte: O Popular



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