‘Pico de casos em Goiás provavelmente será no fim de abril’, diz secretário de Saúde

Goiás ainda não registra o pico da doença. Estamos na curva ascendente, mas de forma linear. Não atingimos ainda o patamar exponencial. No entanto, os números estão crescendo e aumentando e é provável que, ainda esta semana, até o final dela, a curva mude seu ângulo para se tornar exponencial e que, na próxima semana, tenhamos um quantitativo expressivo. O pico de casos em Goiás provavelmente será no final de abril, mas a gente tende e tenta, a todo tempo, rebaixar esse pico.

O senhor mantém a previsão de até 100 casos graves em Goiás? Se não, o que mudou?

Nos próximos 30 dias, é provável que se mantenha a previsão de até 100 casos graves. Nós não trabalhamos com uma expectativa maior do que isso. Obviamente, isso é uma previsão. Não tem como bater o martelo.

Reportagem publicada ontem no POPULAR mostra que o aumento do número de casos confirmados em Goiás segu e ritmo semelhante ao nacional. A análise levou em consideração o tempo necessário para dobrar o número de casos. Isso mostra que o isolamento não estaria funcionando?

Goiás tem avançado o número de casos discretamente inferior ao avanço do País, sobretudo em lugares como o Distrito Federal, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro. Goiás está abaixo disso. Na verdade, mais do que o número de casos, enquanto esse número não explode aqui, temos conseguido uma expansão do atendimento.

Quantos testes estão sendo feitos atualmente pelo Laboratório Central de Goiás (Lacen)?

O Lacen tem uma capacidade de fazer em torno de cem confirmações por dia.

Por que o PCR-RT (que é o teste mais confiável) não pode ser feito em larga escala?

O PCR-RT não é feito em larga escala porque é feito em máquinas, e o quantitativo de máquinas é limitado. Então, chegou àquele quantitativo, saturou. Não tem como avançar além daquilo.

Qual a importância de se usar testes rápidos no combate à pandemia?

A importância do teste rápido é a sua aplicabilidade em larga escala, tanto triagem no interior quanto de unidades sentinela. Uma vez dando positivo, se tiver clínica exacerbada, se interna. Mas, se der positivo e não tiver clínica exacerbada, fica em quarentena. Se der negativo, não significa necessariamente que está descartada a possibilidade, precisará fazer reanálise.

Qual a sua avaliação sobre os primeiros dias de operação do Hospital de Campanha para o enfrentamento do coronavírus em Goiás?

Os primeiros dias de funcionamento do HCamp foram dentro da previsão. É um hospital exclusivo, dedicado, de 222 leitos. Inicialmente, nós temos a capacidade de 70 leitos críticos e o restante é de leitos semicríticos. Até o momento tivemos poucas internações, em torno de 9 neste momento (posteriormente subiu para 11), sendo que são casos referenciados, boa parte deles é de casos graves, 4 estão em ventilação mecânica. Alguns pacientes que chegaram a ser admitidos, inclusive na UTI, não tiveram o coronavírus confirmado e foram transferidos. Além disso, nós estamos expandindo algumas ações para que possamos estadualizar hospitais no interior, que serão, neste primeiro momento, também dedicados às ações da Covid-19, e também todo o movimento que fizemos em relação a operar os pacientes que estavam internados e a redução das cirurgias eletivas. Isso faz com que hoje, no Estado, nós tenhamos a capacidade de, nas nossas enfermarias, absorver 770 pacientes que por ventura necessitem, além desses 222 do HCamp. Hoje, Goiás tem condições de absorver só nos seus próprios hospitais, sem considerar os municipais, em torno de mil pacientes.

Há outras frentes de trabalho?

Estamos trabalhando no plano de expansão para que possamos utilizar 180 leitos na Maternidade Oeste (da Prefeitura de Goiânia) e em torno de 300 no novo Hospital das Clínicas (da Universidade Federal de Goiás). Outra frente que estamos avaliando, para casos que são mais simples, é de hospital de campanha com estruturas grandes que já existem, tipo galpões, para aqueles pacientes que não dependem de ventilação, mas que necessitam de um suporte. São possibilidades que podem vir a ser usadas, caso passemos para os próximos níveis.

Como será a estrutura no interior?

No interior, nós estamos trabalhando na expansão de algumas estruturas que o Estado assumirá a gestão, todas com unidade de terapia intensiva. São elas: Luziânia, no Entorno do DF, com quase 100 leitos; Jataí; Itumbiara, com quase 200 leitos; e o Estado está colocando muito empenho para instrumentalizar o hospital de Porangatu. No entanto, esse hospital será sob a gestão municipal.

Como e quando os hospitais de campanha do interior começam a ser equipados? Qual deles deverá entrar em operação primeiro?

Entre 30 e 60 dias, começam a ser equipados. A gente vai fazer de forma concomitante, não necessariamente o de Luziânia será primeiro do que os demais. Cada um é um processo diferente, mas a gente vai tratar todos com a mesma importância e caminharão em paralelo.

Foto: Weimer Carvalho

Fonte: Jornal O Popular



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